Tem um tipo de cansaço que dormir não resolve. Ele não vem do corpo — vem de viver dias inteiros sendo a versão de você que não incomoda ninguém. Você acorda, organiza a casa, responde a mensagem que ficou parada, lembra do remédio do outro, marca o médico do outro, escuta o dia do outro. E quando finalmente sobra um silêncio, você não sabe o que fazer com ele. Porque silêncio, pra você, virou um espaço que precisa ser preenchido.
Talvez o que você chama de cansaço seja, na verdade, o peso de estar sempre disponível. E talvez o primeiro descanso de verdade seja deixar de responder na velocidade que cobraram de você.





